Rifaina era antigamente um “porto do rio” que fazia fronteira com a Província de Minas Gerais. Havia aqui, só um local de embarque e desembarque dos carros de bois que vinham carregados de sal Campina (mercadoria mais conhecida na época entre as Províncias de Sao paulo e Minas Gerais).

Devido a isso, era denominado “Porto do Barreirinho”, nome este, conhecido no Estado de Minas Gerais até hoje. Nesta época, utilizava-se para transportar as mercadorias a “Balsa Vogue”; Existia também um pequeno barco a vapor que afundou nas águas do Rio Grande e só foi encontrado com a construção da Usina Hidrelétrica de Peixoto. O transporte de pessoas era efetuado por canoas a remo, que levavam paulistas e traziam mineiros.

Depois da denominação “Porto do Barreirinho”, Rifaina foi denominada “Cervo”, isto porque, os doadores do referido patrimônio tinham seus terrenos nas margens direita e esquerda do Ribeirão do mesmo nome.

Dessa forma, o Porto, entre Rifaina e Jaguara, possibilitou efetivamente a ocupação dessa região. Durante as últimas décadas do século XVIII, essa parte das terras próximas ao Rio Grande foi ocupada por moradores rurais, que, dispersos, deram ao porto um movimento considerável.

Este movimento migratório do sul mineiro, em especial da região do Julgado do Desemboque, possibilitou, juntamente com o movimento deste “Porto”, a formação do Arraial do Cervo.

Com a doação das terras e, após a construção da igreja de Santo Antônio em 1830 iniciaram-se as primeiras casas, autorizadas as suas construções pelo primeiro vigário, que era o “Padre Bonifácio de Alexandro”, que divida os lotes mediante aforamento, isto é, de acordo com a área a ser adquirida, a pessoa ficava documentada, com a carta de aforamento, pagando uma mínima taxa anual em benefício da Igreja e as pessoas ficavam como proprietárias do mesmo. Esta taxa era de dois mil réis para cima. Na época, o responsável pelas anuidades era o Sacristão da Igreja. Entretanto, temos conhecimento que o recolhimento deste aforamento era de responsabilidade do cidadão Rifainense Sr. João Borges de Freitas.

Assim, começando a ganhar forma de vila, Rifaina foi denominada “Arraial do Cervo”. Arraial este, que foi marco de encontro dos comerciantes mineiros que vinham comerciar as mercadorias vindas da Província de São Paulo e Campinas.

Eis que desponta, nesta época, uma vida social e comercial intensa no “Arraial do Cervo”. Destacam-se como personagens atuantes os Coronéis pertencentes às famílias: Cassiano Pereira, Pereira Badaró, Pereira Cavalcanti e Ferreira Coelho, considerados pela sua coragem e bravura, ilustres personagens que a história da Rifaina registra. Ainda, muitos outros nomes, que a história de Rifaina deixou de mencionar, foram beneméritos trabalhadores, dos quais os Rifainenses se orgulham.

O termo “Rifaina” é palavra tupi-guarani que significa “Caminho do Porto do Rio”. É um vocabulário utilizado pelas tribos indígenas que aqui existiram, que o pronunciavam toda vez que os índios queriam se dirigir ao Rio.

Por força da lei oficial nº 58, de 15 de abril de 1973, o “Arraial do Cervo”, passa a ser denominado “Santo Antônio de Rifaina”. Até então, a iluminação de Santo Antônio de Rifaina era feito à querosene e à lenha.

Em 1887, dava-se a inauguração da Estação Rifaina da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, que foi construída em solo doado pelos proprietários das referidas terras que existiam na região de Santo Antônio de Rifaina. Esta estrada de ferro tinha seu início em Campinas (São Paulo) e continuava até Uberaba (Minas Gerais) sendo que, Rifaina era servida pela via do “tronco” do Rio Grande, prolongamento da mesma Companhia construindo aqui uma das mais importantes obras do interior do País, a ponte férrea de Jaguara, datada de 1888 fazia a ligação entre os estados.

No lado mineiro, ergue-se a Estação Jaguara que servia como entreposto, com dois grandes galpões, armazenada diversos insumos. O ramal seguia até a Estação de Sacramento, conhecida como Cipó, a topografia da região não favorecia e não permitia que o vapor subisse a serra para Sacramento, assim, houve um pleito e Sacramento foi a primeira cidade no brasil a contar com uma linha de bondes elétricos. Daí o apelido “passa perto” que Sacramento ganhou nessa época, pois a linha da mogiana seguia serpenteado a planície do Rio Grande e apenas passava perto da cidade mineira. Infelizmente esse tronco do Rio Grande foi extinto com a abertura do ramal de Igarapava/Delta e, após 30 de junho de 1970 com a construção da Usina Hidrelétrica de Jaguara. Com a chegada da Companhia Mogiana, adveio novo surto de progresso e desenvolvimento em Santo Antonio de Rifaina.

Em 1971, o Reservatório de Jaguara inundou parte do município e da cidade de Rifaina, afetando a economia local, baseada nas culturas de milho, feijão, arroz e na indústria oleiro-cerâmica, ambas as atividades se valendo das várzeas do Rio Grande e submersas com o represamento provocado pelas Centrais Elétricas de Minas Gerais – CEMIG.

Em 1909 é fundado o Clube Recreativo Guaraniense, fundado pelo time Guarani. Este permaneceu até a fundação da Associação Atlética Rifainense (AAR). Ainda nesta data, foram formados quatro times de futebol: Comercial, Guarani Futebol Clube, Ponte Preta, times pertencentes às fazendas Chave e do time do Sucuri. Estes times participavam de grandes torneios esportivos em toda região. Começa, portando a surgir as pequenas olarias que até 1910 eram em número de 20 (vinte), perfazendo uma produção diária de 4.000 tijolos e 2.000 telhas comuns.

Devemos enaltecer aqui a pessoa do Sr. Calixto Jorge, proprietário de olarias, que muito contribuiu para o desenvolvimento e progresso da comunidade. Sr. Calixto Jorge, apesar de não ter sido um Rifainense nato, foi um Rifainense de coração. Dedicando-se de corpo e alma à terra que lhe deu hospitalidade, oferece todo o seu trabalho em favor de sua grandeza, construindo o prédio para nele ser instalado o primeiro grupo escolar. Mais tarde, construído pelo Estado prédio próprio para aquela Escola, teve de volta, sua casa. No entanto, criado o município, oferece a mesma para nela ser instalada a Câmara Municipal e no mesmo local funcionar a Prefeitura. Na pedreira de sua propriedade vieram as primeiras pedras para início do calçamento das ruas de Franca-SP, que como se sabe, foi realizado em paralelepipedos. Foi proprietário de várias fazendas, da Cerâmica São Jorge, além de vários prédios onde se encontravam instaladas diversas repartições públicas.

Todavia, maior do que bens materiais que conseguiu amealhar, está sua dedicação espiritual a ponto de ajudar crianças carentes, encaminhando-as às suas vocações, amparando-as, criando-as, instruindo-as. Assim sendo, podemos dizer que Calixto Jorge é uma “página” na história de Rifaina, tanto que a avenida da Orla leva seu nome.

Neste período desenvolveu-se a plantação de: café, algodão, milho, arroz e ainda outras culturas de produção menores. Ainda em 1910, foi instalada em Santo Antônio de Rifaina a agência do Correio e Telégrafos, sendo que a primeira agente foi a Sra. Cândida Morenghi que ficou na direção do mesmo de 1910 a 1927 passando ao Sr. Sebastião da Cruz a titularidade.

De 1920 até 1950 funcionou a “Balsa” movido através de um cabo de aço e carretilhas que era o meio de transporte usado para ligar Santo Antônio de Rifaina ao Estado de Minas Gerais. Esta levava: Caminhões, materiais para construção, gados e produtos como: café, arroz, feijão, milho etc.

Ainda em 1950 foi construída uma ponte de concreto sobre o Rio Grande, que media 230 metros, ligando Rifaina à Sacramento, Araxá, Uberaba e outros Municípios mineiros. Essa iniciativa de construção foi dos governadores dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Entretanto, ela teve duração de apenas 10 anos, pois foi extinta e submersa após a construção da Hidrelétrica de Jaguara qual substitui a anterior, construindo outra ponte que é a que permanece até nossos dias  medindo 1075 metros, sobre a Represa de Jaguara, não interrompendo assim, a comunicação entre os dois estados.

Em 1926, veio para Santo Antônio de Rifaina, a energia elétrica, como também a Estrada de rodagem que ligava o pequeno Arraial à Capital. Nesta época o distrito era subordinado à Pedregulho. Rifaina deve esse benefício ao ex-prefeito de Pedregulho o Sr. Artur Belém Júnior.

A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA

Em 1930 houve a 1º Revolução: nessa época, vieram para cá, muitos voluntários. Muitos cidadãos da cidade, ingressaram na força pública do Estado de São Paulo, como por exemplo Sr. Eduardo Devós e Belmiro Devós. As comunicações que eram efetuadas através da Companhia Mogiana foram cortadas, ficando os soldados das tropas federais no Estado de Minas Gerais e os paulistas no Estado de São Paulo. Todavia, no Arraial não houve prisões nem mortes; verificando-se só algumas, na região de Pedregulho. A 1º Revolução teve duração de 40 dias. Em 1931 o Sr. José Pereira Guimarães faz a doação de um lote para a construção do Cemitério da Cidade.

Em 1932 houve a 2º Revolução, está também conhecida como Revolta de 32 ou Revolução Constitucionalista. Foi uma revolta armada contra o golpe de estado aplicado por Getúlio Vargas infringindo a então política café com leite. Assim, da mesma forma, como na anterior foi interrompida a comunicação entre o Arraial e o Estado de Minas Gerais. Neste ínterim, houve somente pequenos assaltos nas propriedades de grandes fazendeiros mineiros.

Em 1934 o comércio em Santo Antônio de Rifaina era muito ativo, pessoas do interior de Minas vinham para cá fazer suas compras. Apesar das olarias que aqui existiram, o que ainda mais motivou a intensificação do comércio foi a instalação da 1ª Cerâmica de telhas, cujo dono era o Sr. Carlos Vedovato. Como representante do comércio nessa época, não podemos deixar de citar o Sr. Elias Nasrala, proprietário da Casa Síria.

Com o passar dos tempos, o uso e costume do povo, entretanto, tornou o lugar conhecido apenas pela forma simplista de Rifaina.

A convite do Cel. Nicolau Pereira Cavalcanti, o casal Cap. Nicolau Miranda e sua esposa, Profª Henriqueta Rivera Miranda, transferiram sua residência para Rifaina. Assim, o Cap. Nicolau Miranda, espírito esclarecido, antevendo a necessidade premente do lugarejo dado a sua vida primitiva e falta de recursos, agindo com verdadeira abnegação, instalou aqui sua farmácia, que aliada ao seu altruísmo e bondade de coração, por muitos anos foi o anjo tutelar de Rifaina.

Logo após a chegada do casal Miranda, o Cel. Manoel Pereira Cavalcanti consegue, não sem esforços, e graças a boa vontade do Deputado Estevam Marcolino, a criação da primeira Escola Estadual em Rifaina. Como não poderia deixar de ser, é então, nomeada para regê-la a Profª Henriqueta Rivera Miranda. Nessa escolinha modesta, pode a Profª Henriqueta, com mais intensidade, transmitir, não somente aos alunos, mas a toda população de Rifaina, os seus sábios ensinamentos, alfabetizando-lhes e imprimindo-lhes os sacrossantos deveres do amor à Pátria e à Família.

NOSSA EMANCIPAÇÃO

Em meados de agosto de 1945 foi instalado em Rifaina o primeiro telefone, este era de propriedade do Sr. José Pereira Filho. No entanto, este telefone foi substituído por outro, sendo que, o seu primeiro zelador foi o Sr. Antonio Sampaio. Esse único meio mais rápido de comunicação que Rifaina possuía ficou sob a guarda da Dona Ramira Silveira de Paula, sendo que o real proprietário do mesmo era o Sr. Antonio Sinício residente em Pedregulho. Em 1979 a então Telesp faz Rifaina e seus moradores ficarem famosos com seu memorável comercial que conseguimos recuperar e compartilhar nas redes sociais do Turismo Rifaina.

Ainda neste ano, o País inteiro regozija-se com a re-implantação da Democracia e da legalidade. Eis que nos princípios de 1947, volta a Profª Henriqueta Rivera Miranda à Rifaina trazendo em sua companhia a figura inconfundível de estadista, moço de grande projeção na vida pública do Estado, o Deputado Mário Beni, muito considerado em Rifaina, isto graças a sua atuação desassombrada na emancipação política e administrativa de Rifaina. A Profª Henriqueta atende, assim, apelo que lhe fazem seus amigos no sentido de que Rifaina se torne Município, e pela segunda vez identifica-se com os Rifainenses de corpo e alma, numa bela jornada cívica, dando-lhe novo rumo no concerto do Estado, ou seja a sua almejada emancipação política.

Aqui em Rifaina, o Senhores Edgard Ajax dos Reis, João Batista Correia, José Pereira Filho, Manoel Antonio Novo, João Ferreira de Souza, Manir Salomão, Benedito de Paula Alvinho, Pedro Rosa, Claricinda Augusta Novo, Felício Cerzulo de Paula, José Clímaco Morenghi e Sebastião Batista Pereira, formaram uma plêiade de Rifainenses em São Paulo. A Profª Henriqueta Rivera Miranda, Dr. João Marcilio Júnior, Deputado Mário Beni, Capitão Castro de Carvalho e Dr. Vicente de Paula Lima, lançaram a semente do movimento pró-município de Rifaina, através da emenda na constituição do Estado, para que todos os distritos de divisa com outros Estados fossem elevados à categoria de Município. Assim, numa campanha das mais belas até hoje, coroada do maior êxito, Rifaina é elevada à categoria de Município de acordo com a Lei Estadual Nº 233 de 24 de Dezembro de 1948.

Foi, portanto, o primeiro prefeito de Rifaina o Sr. Cassemiro Cosme Biondi e vereadores o Senhores: Manir Salomão, Sebastião Gonçalves, Manoel Antonio Novo, Antonio Batista Faria, Geraldo Jorge, Alfredo Marcelino, Firmino Nogueira do Nascimento, Rui da Silva Freira, Cícero Rodrigues Netto e Josino Hemergildo Alves.

Da data da sua emancipação aos dias atuais Rifaina passou e continua passar por vários processos de evolução e reestruturação mas, em resumo, podemos destacar a qualidade de vida proporcionada por uma boa gestão pública e o desempenho na sua vocação natural onde, recentemente, se tornou MIT – Município de Interesse Turístico, conseguindo grande destaque entre os vários Municípios que tentaram este pleito.

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